Métodos construtivos: Estandes em alvenaria

De início, o conceito de “estande”- que tem a premissa de ser temporário – vai na direção contrária de sistemas construtivos “permanentes”, de trabalhosa demolição e que exigem longos prazos para construção.

Apesar disso, ainda existem incorporadoras que optam pela construção de estandes em alvenaria, ou por não conhecerem bem outros métodos construtivos, acreditando que blocos e concreto ainda são a forma mais segura e durável de construir, ou pela indisponibilidade de mão-de-obra que domine outros sistemas na região.

A discussão no Brasil a respeito da modernização dos sistemas construtivos disponíveis e do emprego de novas tecnologias aplicadas á construção data da década de 70, no resto mundo acontece um pouco antes, em 60.

A consulta aos periódicos de arquitetura da época evidenciam que este tema era constante pauta nas publicações até que por volta de 1992 o debate mudou para recursos da computação aplicados ao projeto e a gestão de obras. Apesar disso, somente a partir dos anos 2000 é que temos testemunhado no Brasil o constante, porém tímido emprego de novos materiais estruturando e vedando as construções, e que devido a constatação de que são confiáveis (é uma piada ter que dizer isso mas é nossa realidade) tem sido usados mais largamente, perfis metálicos para paredes, placas de gesso acartonado, placas cimentícias, osb, pvc, concreto, e até mesmo o vidro.

Os estandes nem sempre construídos estrutura metálica e drywall. Antes eram feitos ou em alvenaria, ou em estrutura metálica e fechamento com chapas de madeira. O drywall veio depois, na década de 90. (Obs.: de acordo com informações que podem ser comprovadas até agora).

Uma observação interessante, fugindo somente do ponto de vista construtivo e entrando na arquitetura, é que a arquitetura dos pdvs em geral não mudou a estética do que era feito em alvenaria, novas formas não foram exploradas em função do uso de novos materiais e também de novos acessórios e ferramentas. Infelizmente, os detalhes adicionados ao edifício permitidos pelo drywall, são em sua maioria “decorações” sem função (galpões decorados – Learning from Las Vegas) e que não colaboram em nada.

(Desabafo: Por qual motivo é necessário ficar fazendo “pórticos” e “volumes” que saem de um lugar tal pra lugar nenhum, fazendo volumetrias sem sentido que avançam pra cima da cobertura metálica do estande? Com umas quedas de cobertura sugeridas que não fazem sentido pra alocação das calhas e pros eixos estruturais permitidos pelos vãos livres?  Queria que os arquitetos que projetam isso tivessem que ficar segurando o projeto quase sendo levado pelo vento, a trena e a parafusadeira de joelhos em cima da telha galvanizada quente pra ver se é legal executar essas porcarias sem ter tempo hábil pra isso.)

 

Este post registrará alguns projetos recentes e não tão recentes assim feitos em alvenaria, o ano de construção do estande é aproximado, com base na data que foi possível apurar do lançamento e do estágio da obra.

1. Guarujá Central Park – Guarujá, SP (Ano aproximado 2006~2007)

Fonte das fotos: Daniel – acervo pessoal

Fui conhecer um estande no Guarujá no segundo semestre de 2015, e que pode ser considerado o estande em funcionamento mais antigo do Brasil! O corretor que me atendeu contou na época que o estande já estava em funcionamento há 8 anos. Agora, já são quase 9 anos e pelo visto vai continuar por muito tempo, pois o empreendimento tem inúmeras fases e é muito grande. É o Guarujá Central Park Enseada, da Sobloco, todo construído em alvenaria.

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2. Atmosfera – Parnamirim, RN (Ano aproximado 2012)

Fonte das fotos: Site da Atria Construções

Buscando por estandes no nordeste foi encontrada a página da construtora que fez este estande, a Atria Construções, que explica que a escolha do sistema construtivo foi em função da durabilidade de 5 anos requerida pelo plantão.

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3. Nature Village – Jundiaí, SP (ano aproximado 2006)

Fonte das fotos: acervo Meta Stands

Essa obra faz parte de grande parte do acervo da história das obras que meus pais construíram que ainda estou redescobrindo. Esse estande foi construído em Jundiaí, e o que chamou atenção é que haviam dois edifícios no terreno pro estande, este em alvenaria, e um outro em estrutura metálica. O por que? Ninguém lembra, afinal já faz 1 década.

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Fora esses registrados, existem outros por todo o Brasil pequenos, ou médios; ainda construídos em alvenaria, principalmente nas cidades do interior, usados na comercialização de loteamentos.

 

 

 

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